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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
PEDIDO DE DESCULPAS
Queridos amigos e Leitores,a última Postagem foi feita fora do Rio e infelizmente muitas falhas no texto,acabaram por passar despercebidas,assim como informações sobre essas duas Orixás Amadas e respeitadas por todos nós foram infelizmente supridas. Posto hoje ainda as informações corretas.
Desejo um ótimo fim de semana para todos e um milhão de desculpas pela negligência.
JADE DA OXUM
domingo, 24 de junho de 2012
OS ORIXÁS DE UMBANDA OXALÁ E IEMANJÁ
Oxalá
Orixá masculino, de origem Ioruba
(nagô) bastante cultuado no Brasil, onde costuma ser considerada a divindade
mais importante do panteão africano. Na África é cultuado com o nome de
Obatalá. Quando, porém os negros vieram para cá, como mão-de-obra escrava na
agricultura, trouxeram consigo, além do nome do Orixá, uma outra forma de a ele
se referirem, Orixalá, que significa, orixá dos orixás. Numa versão contraída,
o nome que se acabou popularizando, é OXALÁ.
Esta relação de importância advém de a organização de
divindades africanas ser uma maneira simbólica de se codificar as regras do
comportamento. Nos preceitos, estão todas as matrizes básicas da organização
familiar e tribal, das atitudes possíveis, dos diversos caminhos para uma mesma
questão. Para um mesmo problema, orixás diferentes propõem respostas diferentes
- e raramente há um acordo social no sentido de estabelecer uma das saídas como
correta e a outra não. A jurisprudência
africana nesse sentido prefere conviver com os opostos, estabelecendo, no
máximo, que, perante um impasse, Ogum faz
isso, Iansã faz aquilo, por exemplo.
Assim, Oxalá não tem mais poderes que os outros nem é
hierarquicamente superior, mas merece o respeito de todos por representar o
patriarca, o chefe da família. Cada membro da família tem suas funções e o
direito de se inter-relacionar de igual para igual com todos os outros membros,
o que as lendas dos Orixás confirmam através da independência que cada um
mantém em relação aos outros. Oxalá, porém, é o que traz consigo a memória de
outros tempos, as soluções já encontradas no passado para casos semelhantes,
merecendo, portanto, o respeito de todos numa sociedade que cultuava ativamente
seus ancestrais. Ele representa o conhecimento empírico, neste caso colocado
acima do conhecimento especializado que cada Orixá pode apresentar: Ossâim, a
liturgia; Oxóssi, a caça; Ogum, a metalurgia; Oxum, a maternidade; Iemanjá, a
educação; Omolu, a medicina - e assim por diante.
Se por este lado, Oxalá merece mais destaque, o
considerá-lo superior aos outros (o que
não está implícito como poder, mas sim merecimento de respeito ao título de
Orixalá) veio da colonização européia. Os jesuítas tentavam introduzir os
negros nos cultos católicos, passo considerado decisivo para os mentores e
ideólogos que tentavam adaptá-los à sociedade onde eram obrigados a viver,
baseada em códigos a eles completamente estranho. A repressão pura e simples
era muito eficiente nestes casos, mas não bastava. Eram constantes as revoltas.
Em alguns casos, perceberam que o sincretismo era a melhor saída, e tentaram
convencer os negros que seus Orixás também tinham espaço na cultura branca, que
as entidades eram praticamente as mesmas, apenas com outros nomes.
Alguns escravos neles acreditaram. Outros se
aproveitaram da quase obrigatoriedade da prática dos cultos católicos, para, ao
realizá-los, efetivarem verdadeiros cultos de Umbanda, apenas mascarados pela
religião oficial do colonizador. Esclarecida esta questão, não negamos as
funções únicas e importantíssimas de Oxalá perante a mitologia ioruba.
É o princípio gerador em potencial, o responsável
pela existência de todos os seres do céu e da terra. É o que permite a
concepção no sentido masculino do termo. Sua cor é o branco, porque ela é a
soma de todas as cores.
Por causa de Oxalá a cor branca esta associada ao
candomblé e aos cultos afro-brasileiros em geral, e não importa qual o santo
cultuado num terreiro, nem o Orixá de cabeça de cada filho de santo, é comum
que se vistam de branco, prestando homenagem ao Pai de todos os Orixás e dos
seres humanos.
Se essa mesma, gostar e quiser usar roupas com as
cores do seu ELEDÁ (primeiro Orixá de
cabeça) e dos seus AJUNTÓ (adjutores
auxiliares do Orixá de cabeça) não terá problema algum, apenas dependendo da
orientação da cúpula espiritual dirigente do terreiro.
Segundo as lendas, Oxalá é o pai de todos os Orixás,
excetuando-se Logunedé, que é filho
de Oxóssi e Oxum, e Iemanjá que tem uma filiação controvertida, sendo mais
citados Odudua e Olokum como seus pais, mas efetivamente Oxalá nunca foi apontado
como seu pai.
O seu campo de atuação preferencial é a religiosidade
dos seres, aos quais ele envia o tempo todo suas vibrações estimuladoras da fé
individual e suas irradiações geradoras de sentimentos de religiosidade.
Fé!
Eis o que melhor define o Orixá Oxalá.
Sim, amamos irmãos na fé em Oxalá. O nosso amado Pai
da Umbanda é o Orixá irradiador da fé em nível planetário e multidimensional.
Oxalá é sinônimo de fé. Ele é o Trono da Fé que,
assentado na Coroa Divina, irradia a fé em todos os sentidos e a todos os
seres.
Orixá associado à criação do mundo e da espécie
humana. No Candomblé, Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e
velho – chamado Oxalufam. O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do
segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô. A cor de Oxaguiam é
o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufam é somente branco. O dia
consagrado para ambos é a sexta-feira. Oxalá é considerado e cultuado como o
maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano. É calmo,
sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e
todas as nações.
A
vibração de Oxalá habita em cada um de nós, e em toda parte de nosso corpo,
porém velada pela nossa imperfeição, pelo nosso grau de evolução. É o Cristo
interior, e, ao mesmo tempo, cósmico e universal; O que jamais deixou sem
resposta ou sem consolo um só coração humano, cujo apelo chegasse até ele. O
que procura, no seio da humanidade, homens capazes de ouvir a voz da sabedoria
e que possam responder-lhe, quando pedir mensageiros para transmitir ao seu
rebanho: "Estou aqui; enviai-Me".
Oxalá é
Jesus?
A imagem de Jesus Cristo é figura obrigatoriamente em lugar de honra em
todos os Centros, Terreiros ou Tendas de Umbanda, em local elevado, geralmente
destacada com iluminação intencionalmente preparada, de modo a conformar uma
espécie de aura de luz difusa à sua volta. Homenageia-se Oxalá na representação
daquele que foi o "filho dileto de Deus entre os homens"; entretanto,
permanece, no íntimo desse sincretismo, a herança da tradição africana:
"Jesus foi um enviado; foi carne, nasceu, viveu e morreu entre os
homens"; Oxalá coexistiu com a formação do mundo; Oxalá já era antes de que Jesus o fosse.
Oxalá, assim como Jesus, proporciona aos filhos a melhor forma de
praticar a caridade, isto é, dando com a direita para, com a esquerda,
receberem na eternidade e assim poderem trilhar o caminho da luz que os
conduzirá ao seu Divino Mestre.
Características desse Orixá
COR- Branca
CONTAS - Contas e
Missangas Brancas e Leitosas. Firmas Branca.
ERVAS –Tapete de Oxalá (Boldo), Saião,
Colônia, Manjericão Branco, Rosa Branca, Folha de Algodoeiro, Sândalo, Malva,
Patchouli, Alfazema, Folha do Cravo, Neve Branca, Folha de Laranjeira. (Em
algumas casas: poejo, camomila, chapéu de couro, coentro, gerânio branco,
arruda, erva cidreira, alecrim do mato,hortelã, folhas de girassol, agapanto
branco, aguapé (golfo de flor branca), alecrim da horta, alecrim de tabuleiro,
baunilha, camélia, carnaubeira, cravo da índia), fava pichuri, fava de tonca,
folha de parreira de uva branca, maracujá (flores), macela, palmas de
Jerusalém, umbuzeiro, salsa da praia)
SÍMBOLO - Estrela de
5 pontas. (Em algumas casas, a Cruz)
FLORES - Lírios
brancos e todas as flores que sejam dessa cor, as rosas de preferência sem
espinhos.
ESSÊNCIAS- Aloés,
almíscar, lírio, benjoim, flores do campo, flores de laranjeira
PEDRAS - Diamante,
cristal de rocha, perolas brancas.
METAL- Prata (Em
algumas casas: platina, ouro branco).
SAÚDE – Não tem
área de saúde específica, pois abrange todo nosso corpo e nosso espírito.
PLANETA – Sol
DIA DA SEMANA - Todos ,
especialmente Sextas Feiras
ELEMENTO - Ar
CHAKRA – Coronário
SAUDAÇÃO - Exê Uêpe
Babá
BEBIDA - Água
mineral, ou vinho branco doce ou vinho tinto doce.
ANIMAIS - Pomba Branca,
Caramujo, coruja branca
COMIDAS - Canjica,
Acaçá, Mungunzá.
NÚMERO -10
(Oxalufã), 8 (Oxaguiã).
DATA COMEMORATIVA -25 de
Dezembro
SINCRETISMO - Jesus.
(Oxaguiã, Menino Jesus de Praga; Oxalufã, Senhor do Bonfim
INCOMPATIBILIDADES - Vinho de
palma, dendê, carvão, roupa escura, cor vermelha, cachaça, bichos escuros.
Lâminas (Oxalufã)
Atribuições
As atribuições de Oxalá são as de não deixar um só ser sem o amparo
religioso dos mistérios da Fé. Mas nem sempre o ser absorve suas irradiações
quando está com a mente voltada para o materialismo desenfreado dos espíritos
encarnados.
As
Características Dos Filhos De Oxalá
Os filhos de Oxalá são pessoas tranqüilas, com
tendência à calma, até nos momentos mais difíceis; conseguem o respeito mesmo
sem que se esforcem objetivamente para obtê-lo. São amáveis e pensativos, mas
nunca de maneira subserviente. Às vezes chegam a ser autoritários, mas isso
acontece com os que têm Orixás guerreiros ou autoritários como adjutores (ajuntós).
São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo
sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos, mas exigem ser
respeitados.
Sabem argumentar bem, tendo uma queda para trabalhos
que impliquem em
organização. Gostam de centralizar tudo em torno de si
mesmos. São reservados, mas raramente orgulhosos.
Seu defeito mais comum é a teimosia, principalmente
quando têm certeza de suas convicções; será difícil convencê-los de que estão
errados ou que existem outros caminhos para a resolução de um problema.
No Oxalá mais velho (OXALUFÃ) a tendência se traduz
em ranzinzice e intolerância, enquanto no Oxalá novo (OXAGUIÃ) tem um certo
furor pelo debate e pela argumentação.
Para Oxalá, a idéia e o verbo são sempre mais
importantes que a ação, não sendo raro encontrá-los em carreiras onde a
linguagem (escrita ou falada) seja o ponto fundamental.
Fisicamente, os filhos de Oxalá tendem a apresentar
um porte majestoso ou no mínimo digno, principalmente na maneira de andar e não
na constituição física; não é alto e magro como o filho de Ogum nem tão
compacto e forte como os filhos de Xangô. Às vezes, porém, essa maneira de
caminhar e se postar dá lugar a alguém com tendência a ficar curvado, como se o
peso de toda uma longa vida caísse sobre seus ombros, mesmo em se tratando de
alguém muito jovem.
Para que o filho de Oxalá tenha uma vida melhor, deve
procurar despertar em seu interior a alegria pelas coisas que o cerca e tentar
ceder à sua natural teimosia.
Cozinha
ritualística:
Canjica
Canjica
branca (sem aquele olhinho escuro e mal cozida). Colocar em tigela de louça
branca. Cobrir com Algodão, Folhas de Saião ou Claras em Neve. Podendo
colocar um cacho de uva branca por cima de tudo. Regar com mel
Acaçá
Cozinhar
1/2 kg de Farinha de Milho branca, como um angu ou mingau. Deixe esfriar um
pouco, e faça bolinhos. Em algumas casas se põe, às colheradas, em folhas de
bananeira passada ao fogo e enrola-se. Serve-se depois de frio.
(Obs1) Quando colocar esta oferenda coloque na frente de
seu altar com uma copo de água na parte de cima, uma vela de 7 dias à direita,
3 ramos de trigo à esquerda e na parte de baixo encima de uma pano branco
coloque um pãozinho cortado em três pedaços, deixe até acabar a vela de 7 dias
e veras que criara uma penugem de bolor nos Acaçá, sinal que seu pedido e sua
fé foi bem aceita, despache tudo em um jardim ou campo florido.
(Obs2) Já existe à venda no mercado a chamada "farinha
de acaçá", que é a canjica branca já moída, o que facilita enormemente a
confecção do acaçá de Oxalá.
Mungunzá
Escolha
1/2 kg de canjica branca (sem aquele olhinho escuro) e ponha de molho na
véspera. No dia seguinte, ponha para cozinhar com água e sal. Quando a canjica
começar a amaciar, adicione o leite ralo de 2 cocos, junte o açúcar, misture e,
se preciso, ponha mais sal. Acrescente os cravos-da-índia e a canela. Desmanche
o creme de arroz em leite de coco puro e junte ao mungunzá para engrossar o
caldo do mesmo. Sirva em pratos fundos, como sopa.
Também
se faz agrado com uma mesa de frutas, que não podem ter espinhos farpas ou
fiapos, como por exemplo: manga, abacaxi, carambola, cajá-manga, etc.
No Candomblé é o único
Orixá que não exige matança, em tempo algum.
Lendas de
Oxalá
Águas de Oxalá
Aproximava-se o dia em que seria realizado no reino
de Oyó, a época das comemorações em homenagem a Xangô, Rei de Oyó, onde todos
os Orixás foram convidados, inclusive Oxalufã. Antes de rumar a Oyó, Oxalufã
consultou seu babalawo a fins de saber como seria a jornada, o babalawo lhe
disse: leve três mudas de roupas brancas, pois Exú irá dificultar seus
caminhos. E Oxalufã partiu sozinho. O adivinho aconselhou-o então a levar
consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a
aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada,
acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida.
Caminhando pela mata encontrou Exú tentando levantar
um tonel de Dendê as costa e pediu-lhe ajuda Oxalufã prontamente lhe ajudou,
mas Exú, propositalmente derramou o dendê sobre Oxalufã e saiu. Oxalufã
banhou-se no rio, trocou de roupa e continuou sua jornada. Mas adiante se
encontrou novamente com Exú, que desta vez tentava erguer um saco de carvão a
costas e pediu a Oxalufã que lhe auxiliasse, novamente Oxalufã lhe ajudou e Exú
repetiu o feito derramando o carvão sobre Oxalufã, banhando-se no rio e
trocando de roupa, Oxalufã prosseguiu sua jornada a Oyó, próximo já a Oyó,
encontrou com Exú novamente tentado erguer um tonel de melado e a estória se
repetiu. Nos campos de Oyó, Oxalufã encontrou com um cavalo fugitivo dos
estábulos de Xangô, e resolveu devolver ao dono, antes de chegar à cidade, foi
abordado pelos guardas que o julgaram culpado pelo furto.
Maltrataram e prenderam Oxalufã. Ele, sempre calado,
deixou-se levar prisioneiro. Mas, por estar um inocente no cárcere, em terras
do Senhor da Justiça, Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As
mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino. Desesperado Xangô
resolveu consultar um babalaô para saber o que acontecia e o babalaô lhe disse:
a vida está aprisionada em seus calabouços, um velho sofria injustamente como
prisioneiro, pagando por um crime que não cometera. Com essa resposta, Xangô
foi até a prisão e lá encontrou Oxalufã todo sujo e mal tratado. Imediatamente
o levou ao palácio e lá chamou todos os Orixás onde cada um carregava um pote
com água da mina. Um a um os Orixás iam derrubando suas águas em Oxalufã para
lavá-lo. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos
permanecessem em
silêncio. Pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a
Oxalufã. Xangô vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho
rei. E o levou para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalufã e
todo o povo saudava Xangô.
Lenda da Criação
Oxalá, "O Grande Orixá" ou "O Rei do
Pano Branco". Foi o primeiro a ser criado por Olorum, o deus supremo.
Tinha um caráter bastante obstinado e independente.
Oxalá foi encarregado por Olorum de criar o mundo com
o poder de sugerir (àbà) e o de realizar (àse). Para cumprir sua missão, antes
da partida, Olorum entregou-lhe o "saco da criação". O poder que lhe
fora confiado não o dispensava, entretanto de submeter-se a certas regras e de
respeitar diversas obrigações como os outros orixás. Uma história de Ifá nos
conta como. Em razão de seu caráter altivo, ele se recusou fazer alguns
sacrifícios e oferendas a Exú, antes de iniciar sua viagem para criar o mundo.
Oxalá pôs-se a caminho apoiado num grande cajado de
estanho, seu òpá osorò ou paxorô, cajado para fazer cerimônias. No momento de
ultrapassar a porta do Além, encontrou Exé, que, entre as suas múltiplas
obrigações, tinha a de fiscalizar as comunicações entre os dois mundos. Exé
descontente com a recusa do Grande Orixá em fazer as oferendas prescritas,
vingou-se o fazendo sentir uma sede intensa. Oxalá, para matar sua sede, não
teve outro recurso senão o de furar com seu paxorô, a casca do tronco de um
dendezeiro. Um líquido refrescante dele escorreu: era o vinho de palma. Ele
bebeu-o ávida e abundantemente. Ficou bêbado, e não sabia mais onde estava e
caiu adormecido. Veio então Odudua, criado por Olorum depois de Oxalá e o maior
rival deste. Vendo o Grande Orixá adormecido, roubou-lhe o "saco da
criação", dirigiu-se à presença de Olorum para mostrar-lhe o seu achado e
lhe contar em que estado se encontrava Oxalá. Olorum exclamou: "Se ele
está neste estado, vá você, Odudua! Vá criar o mundo!" Odudua saiu assim
do Além e encontrou diante de uma extensão ilimitada de água.
Deixou cair à substância marrom contida no "saco
da criação". Era terra. Formou-se, então, um montículo que ultrapassou a
superfície das águas. Aí, ele colocou uma galinha cujos pés tinham cinco
garras. Esta começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície das
águas.
Onde ciscava, cobria as águas, e a terra ia se
alargando cada vez mais, o que em iorubá se diz ilè nfè, expressão que deu
origem ao nome da cidade de Ilê Ifé. Odudua aí se estabeleceu, seguido pelos
outros orixás, e tornou-se assim o rei da terra.
Quando Oxalá acordou não mais encontrou ao seu lado o
"saco da criação". Despeitado, voltou a Olorum. Este, como castigo
pela sua embriaguez, proibiu ao Grande Orixá, assim como aos outros de sua
família, os orixás funfun, ou "orixás brancos", beber vinho de palma
e mesmo usar azeite-de-dendê. Confiou-lhe, entretanto, como consolo, a tarefa
de modelar no barro o corpo dos seres humanos, aos quais ele, Olorum,
insuflaria a vida.
Por essa razão, Oxalá também é chamado de Alamorere,
o "proprietário da boa argila
Pôs-se a modelar o corpo dos homens, mas não levava
muito a sério a proibição de beber vinho de palma e, nos dias em que se
excedia, os homens saiam de suas mãos contrafeitas, deformadas, capengas,
corcundas. Alguns, retirados do forno antes da hora, saíam mal cozidos e suas
cores tornavam-se tristemente pálidas: eram os albinos. Todas as pessoas que
entram nessas tristes categorias são-lhe consagradas e tornam-se adoradoras de
Oxalá.
Como Oxalá se Tornou o Pai da Criação
Iemanjá, a filha de olokum, foi escolhida por olorum
para ser a mãe dos orixás. como ela era muito bonita, todos a queriam para
esposa; então, o pai foi perguntar a orumilá com quem ela deveria casar.
orumilá mandou que ele entregasse um cajado de madeira a cada pretendente;
depois, eles deveriam passar a noite dormindo sobre uma pedra, segurando o
cajado para que ninguém pudesse pegá-lo. na manhã seguinte, o homem cujo cajado
estivesse florido seria o escolhido por orumilá para marido de iemanjá. os
candidatos assim fizeram; no dia seguinte, o cajado de oxalá estava coberto de
flores brancas, e assim ele se tornou pai dos orixás.
Como Oxalá Aprendeu a Produzir a Cor
Branca
Certa vez, quando os orixás estavam reunidos, oxalá
deu um tapa em exu e o jogou no chão todo machucado; mas no mesmo instante exu
se levantou, já curado. Então oxalá bateu em sua cabeça e exu ficou anão; mas
se sacudiu e voltou ao normal. Depois oxalá sacudiu a cabeça de exu e ela ficou
enorme; mas exu esfregou a cabeça com as mãos e ela ficou normal. A luta
continuou, até que exu tirou da própria cabeça uma cabacinha; dela saiu uma
fumaça branca que tirou as cores de oxalá. oxalá se esfregou, como exu fizera,
mas não voltou ao normal; então, tirou da cabeça o próprio axé e soprou-o sobre
exu, que ficou dócil e lhe entregou a cabaça, que oxalá usa para fazer os
brancos.
Yemanjá
Deusa da nação de Egbé, nação esta Iorubá onde existe
o rio Yemojá (Yemanjá). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muito
respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás Iorubanos,
enquanto a maternidade dos Orixás Daomeanos é atribuída a Nanã. Por isso a ela
também pertence à fecundidade. É protetora dos pescadores e jangadeiros.
Comparada com as outras divindades do panteão africano,
Yemanjá é uma figura extremamente simples. Ela é uma das figuras mais
conhecidas nos cultos brasileiros, com o nome sempre bem divulgado pela
imprensa, pois suas festas anuais sempre movimentam um grande número de
iniciados e simpatizantes, tanto da Umbanda como do Candomblé.
Pelo sincretismo, porém, muita água rolou. Os
jesuítas portugueses, tentando forçar a aculturação dos africanos e a
aceitação, por parte deles, dos rituais e mitos católicos, procuraram fazer
casamentos entre santos cristãos e Orixás africanos, buscando pontos em comum
nos mitos.
Para Yemanjá foi reservado o lugar de Nossa Senhora,
sendo, então, artificialmente mais importante que as outras divindades
femininas, o que foi assimilado em parte por muitos ramos da Umbanda.
Mesmo assim, não se nega o fato de sua popularidade
ser imensa, não só por tudo isso, mas pelo caráter, de tolerância, aceitação e
carinho. É uma das rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas
provocadas pelo choro da mãe que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se
afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes; e o mar, sua morada,
local onde costuma receber os presentes e oferendas dos devotos.
São extremamente concorridas suas festas. É
tradicional no Rio de Janeiro, em Santos (litoral de São Paulo) e nas praias de
Porto Alegre a oferta ao mar de presentes a este Orixá, atirados à morada da
deusa, tanto na data específica de suas festas, como na passagem do ano. São
comuns no réveillon as tendas de Umbanda na praia, onde acontecem rituais e iniciados
incorporam caboclos e pretos-velhos, atendendo a qualquer pessoa que se
interesse.
Apesar
dos preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum como Yemanjá à função da
maternidade, pode estabelecer-se uma boa distinção entre esse conceitos. As duas
Orixás não rivalizam (Yemanjá praticamente não rivaliza com ninguém, enquanto
Oxum é famosa por suas pendências amorosas que a colocaram contra Iansã e Obá).
Cada uma domina a maternidade num momento diferente.
A majestade dos mares, senhora dos oceanos, sereia
sagrada, Yemanjá é a rainha das águas salgadas, regente absoluta dos lares,
protetora da família. Chamada também de Deusa das Pérolas, é aquela que apara a
cabeça dos bebês no momento de nascimento.
Numa Casa de Santo, Yemanjá atua dando sentido ao
grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato
familiar; criando raízes e dependência; proporcionando sentimento de irmão para
irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também
o sentimento de pai para filho ou de mãe para filho e vice-versa, nos casos de
relacionamento dos Babalorixás (Pais no Santo) ou Ialorixás (Mães no Santo) com
os Filhos no Santo. A necessidade de saber se aquele que amamos estão bem, a
dor pela preocupação, é uma regência de Yemanjá, que não vai deixar morrer
dentro de nós o sentido de amor ao próximo, principalmente em se tratando de um
filho, filha, pai, mãe, outro parente ou amigo muito querido. É a preocupação e
o desejo de ver aquele que amamos a salvo, sem problemas, é a manutenção da
harmonia do lar.
É ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo
os seres aquáticos e provendo o alimento vindo do seu reino. É ela quem
controla as marés, é a praia em ressaca, é a onda do mar, é o maremoto. Protege
a vida marinha. Junta-se ao orixá Oxalá complementando-o como o Princípio
Gerador Feminino.
Características
COR-- Cristal. (Em
algumas casas: Branco, azul claro. também verde claro e rosa claro)
FIO DE CONTAS - Contas e
Missangas de cristal. Firmas cristal.
ERVAS - Colônia,
Pata de Vaca, Embaúba, Abebê, Jarrinha, Golfo, Rama de Leite (Em algumas casas:
aguapé, lágrima de nossa, araçá da praia, flor de laranjeira, guabiroba,
jasmim, jasmim de cabo, jequitibá rosa, malva branca, marianinha - trapoeraba
azul, musgo marinho, nenúfar, rosa branca, folha de leite)
SÍMBOLO - Lua
minguante, ondas, peixes.
PONTOS DA NATUREZA – Mar
FLORES- Rosas
brancas, palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos.
ESSÊNCIAS - Jasmim, Rosa
Branca, Orquídea, Crisântemo.
PEDRAS - Pérola, Água
Marinha, Lápis-Lazúli, Calcedônia, Turquesa
METAL -Prata
SAÚDE - Psiquismo,
Sistema Nervoso.
PLANETA – Lua
DIA DA SEMANA – Sábado
ELEMENTO – Água
CHAKRA – Frontal
SAUDAÇÃO - Odô iyá,
Odô Fiaba
BEBIDAS - Água
Mineral ou Champanhe
ANIMAIS - Peixes,
Cabra Branca, Pata ou Galinha branca.
COMIDAS - Peixe,
Camarão, Canjica, Arroz, Manjar; Mamão.
NÚMERO – 4
DATA COMEMORATIVA - 15 de
Agosto, em algumas casas; 2 de Fevereiro e ou 8 de Dezembro
SINCRETISMO – Nossa
Senhora da Glória, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes.
INCOMPATIBILIDADES – Poeira e
Sapo
QUALIDADES - Iemowo,
Iamassê, Iewa, Olossa, Ogunté assabá, Assessu, Sobá, Tuman, Ataramogba,
Masemale, Awoió, Kayala, Marabô, Inaiê, Aynu, Susure, Iyaku, Acurá, Maialeuó,
Conlá.
Atribuições
Essa força da natureza também tem papel muito importante em nossas
vidas, pois é ela que rege nossos lares, nossas casas. É ela que dá o sentido
da família às pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora do
sentimento de amor ao seu ente querido, que vai dar sentido e personalidade ao
grupo formado por pai, mãe e filhos tornando-os coesos. Rege as uniões, os
aniversários, as festas de casamento, todas as comemorações familiares. É o
sentido da união por laços consangüíneos ou não.
As Características Dos Filhos De Yemanjá
Pelo fato de Yemanjá ser a Criação, sua filha
normalmente tem um tipo muito maternal. Aquela que transmite a todos a bondade,
confiança, grande conselheira. É mãe. Sempre tem os braços abertos para acolher
junto de si todos aqueles que a procuram. A porta de sua casa sempre está
aberta para todos, e gosta de tutelar pessoas. Tipo a grande mãe. Aquela mulher
amorosa que sempre junta os filhos dos outros com os seus. O homem filho de
Yemanjá carrega o mesmo temperamento: é o protetor. Cuida de seus tutelados com
muito amor. Geralmente é calmo e tranqüilo, exceto quando sente-se ameaçado na
perda de seus filhos, isto porque não divide isto com ninguém. É sempre
discreto e de muito bom gosto. Veste-se com muito capricho. É franco e não
admite a mentira. Normalmente fica zangado quando ofendido e o que tem como
ajuntó o orixá Ogum, torna-se muito agressivo e radical. Diferente é quando o
ajuntó é Oxóssi, aí sim, é pessoa calma, tranqüila, e sempre reage com muita
tolerância. O maior defeito do filho de Yemanjá é o ciúme. É extremamente
ciumento com tudo que é seu, principalmente das coisas que estão sob sua
guarda. Gostam de viver num ambiente confortável e, mesmo quando pobres,
pode-se notar uma certa sofisticação em suas casas, se comparadas com as demais
da comunidade de que fazem parte. Apreciam o luxo, as jóias caras e os tecidos
vistosos e bons perfumes. Entretanto, não possuem a mesma vaidade coquete de
Oxum, sempre apresentando uma idade maior, mais responsáveis e decididos do que
os filhos da Oxum. A força e a determinação fazem parte de suas
características básicas, assim como o sentido de amizade, sempre cercada de
algum formalismo. Apesar do gosto pelo luxo, não são pessoas ambiciosas nem
obcecadas pela própria carreira, detendo-se mais no dia a dia, sem grandes
planos para atividades a longo prazo. Pela importância que dá a retidão e à
hierarquia, Yemanjá não tolera mentira e a traição. Assim sendo, seus filhos
demoram a confiar em alguém, e quando finalmente passam a aceitar uma pessoa no
seu verdadeiro círculo de amigos, deixam de ter restrições, aceitando-a
completamente e defendendo-a, seja nos erros como nos acertos, tendo grande
capacidade de perdoar as pequenas falhas humanas. Não esquecem uma ofensa ou
traição, sendo raramente esta mágoa esquecida. Um filho de Yemanjá pode
tornar-se rancoroso, remoendo questões antigas por anos e anos sem esquecê-las
jamais. Fisicamente, existe uma tendência para a formação de uma figura cheia
de corpo, um olhar calmo, dotada de irresistível fascínio (o canto da sereia).
Enquanto os filhos de Oxum são diplomatas e sinuosos, os de Yemanjá se mostram
mais diretos. São capazes de fazer chantagens emocionais, mas nunca diabólicas.
A força e a determinação fazem parte de seus caracteres básicos, assim como o
sentido da amizade e do companheirismo.
São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem
falta da tribo, inconsciente ancestral, e costumam, por isso casar ou
associar-se cedo. Não apreciam as viagens, detestam os hotéis, preferindo casas
onde rapidamente possam repetir os mecanismos e os quase ritos que fazem do
cotidiano.
Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco
rígida, refratária a mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo,
indicam alguém doce, carinhoso, sentimentalmente envolvente e com grande
capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Mas nem tudo
são qualidades em Yemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho
desse Orixá a ter uma tendência a tentar concertar a vida dos que o cercam - o
destino de todos estariam sob sua responsabilidade. Gostam de testar as
pessoas.
Cozinha
ritualística
Canjica branca
Canjica branca cozida, leite de coco. Colocar a
canjica em tigela de louça branca, despejando mel por cima, e uvas brancas, se
deseja
Canjica Cozida
Refogada com azeite doce, cebola e camarão seco.
Manjar do Céu
Leite, maizena, leite de coco, açúcar
Sagu
com leite de coco
Colocar o sagu de molho em água pura de modo a
inchar, depois de inchado, retirar a água e levar ao fogo com leite de coco, de
modo a fazer um mingau bem grosso, colocar em tigela de louça branca.
Lendas de
Yemanjá
Yemanjá teve muitos problemas com os filhos. Ossain,
o mago, saiu de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas.
Contra os conselhos da mãe, Oxossi bebeu uma poção dada por Ossain e,
enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou
para casa mas Yemanjá, irritada, expulsou-o. Então ogum a censurou por tratar
mal o irmão. Desesperada por estar em conflito com os três filhos, Yemanjá
chorou tanto que se derreteu e formou um rio que correu para o mar.
Yemanjá foi casada com Okere. Como o marido a
maltratava, ela resolveu fugir para a casa do pai Olokum. Okere mandou um
exército atrás dela mas, quando estava sendo alcançada, Yemanjá se transformou
num rio para correr mais depressa. Mais adiante, Okere a alcançou e pediu que
voltasse; como Yemanjá não atendeu, ele se transformou numa montanha, barrando
sua passagem. Então Yemanjá pediu ajuda a Xangô; o orixá do fogo juntou muitas
nuvens e, com um raio, provocou uma grande chuva, que encheu o rio; com outro
raio, partiu a montanha em duas e Yemanjá pôde correr para o mar.
Exu, seu filho, se encantou por sua beleza e tomou-a
a força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, e bravamente Yemanjá
resistiu à violência do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe.
Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu “saiu no mundo” desaparecendo no
horizonte. Caída ao chão, Yemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena
que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokum e ao criador
Olorum. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi
saindo dando origem aos mares. Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da
mesa dos orixás, tendo como incumbência eterna ser o guardião, não podendo
juntar-se aos outros na corte.
Por
isso Yemanjá é representada na imagem com grandes seios, simbolizando a
maternidade e a fecundidade.
domingo, 17 de junho de 2012
OUTRAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS
Outras Religiões Afro-Brasileiras
Toré
O
Toré é uma dança que inclui também práticas religiosas secretas, às quais só os
índios têm acesso. O objetivo ritual do toré é a comunicação com os encantos ou
encantados, que vivem no reino da jurema ou juremá, referência à bebida feita
com a casca da raiz da juremeira. Quanto à dança propriamente dita, ela assume
características diferentes em cada comunidade. Eles dançam em círculos, em
sentido anti-horário, fazendo e desfazendo sucessivas espirais. O grupo dança
formando quatro filas, que fazem variadas coreografias, criando movimentos de
rara beleza. O ritual, que começa por volta das 21h e vai até as 3h da manhã, é
uma dança coletiva acompanhada por cânticos e pelo som de chocalhos feitos de
cabaças. O que mais impressiona no Toré é a força com que todos pisam o chão,
de forma ritmada, juntos, como se fossem uma só pessoa.
Pajelança
Durante o ritual
terapêutico, o pajé reza e fuma ao mesmo tempo, baforando a fumaça do tabaco
sobre o corpo do doente. Enquanto isto sustenta em uma das mãos o maracá, cujo
ruído assinala a aproximação do espírito. O pajé pode alcançar o transe fumando
e hiperventilando continuamente, o que lhe provoca visões que lhe direcionam
para compreender os atos estranhos que se sucedem na aldeia, ou para predizer
sucessos e insucessos.
A pajelança é um ato-ritual
de cura, levada á cabo por vários pajés. Nestas ocasiões eles se reúnem para
fins curativos ou cuidar da realização de um feitiço que beneficie todas as
comunidades participantes do evento.
A crença da pajelança é
assentada na figura do encantamento, ou seja, é um culto á encantaria.
Encantados são os seres invisíveis que habitam as florestas, o mundo
subterrâneo e aquático, regiões conhecidas como "encantes". Os pajés
servem de instrumentos para a ação dos encantados. Para tornar-se pajé, o
indivíduo precisar ter um dom de nascença ou "de agrado" (adquirido).

O Catimbó
A Jurema é uma árvore que floresce no agreste e na
caatinga nordestina; da casca de seu tronco e de suas raízes se faz uma bebida
mágico-sagrada que alimenta e dá força aos encantados do “outro-mundo”. É
também essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo
espiritual e os seres que lá residem.
O Catimbó, envolve como padrão a ingestão da bebida
feita com partes da Jurema, o uso ritual do tabaco, o transe de possessão por
seres encantados, além da crença em um
mundo espiritual onde as entidades residem.
Para seus adeptos, o mundo espiritual tem o nome de Juremá e é composto por reinados, cidades e aldeias.
Nestes Reinos e Cidades residem os encantados: os Mestres e os Caboclos. “Cada
aldeia tem três ‘mestres’. Doze aldeias fazem um Reino com 36 ‘mestres’. No
reino há cidades, serras, florestas, rios. Quanto são os Reinos? Sete, segundo
uns. Vajucá, Tigre, Candindé, Urubá, Juremal, Fundo do Mar, e Josafá. Ou cinco,
ensinam outros. Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e Josafá”.
Troncos da planta são assentados em recipientes de barro e simbolizam as
cidades dos principais mestres das casas. Estes troncos, juntamente com as
princesas e príncipes, com imagens de santos católicos e de espíritos
afro-ameríndios, maracas e cachimbos, constituirão as Mesas de Jurema. Chama-se
Mesa o altar junto ao qual são consultados os espíritos e onde são oferecidas
as obrigações que a eles se deva.
As princesas são vasilhas redondas de vidro ou de louça dentro das quais
são preparadas a bebida sagrada e, em ocasiões especiais, onde são oferecidos
alimentos ou bebidas aos encantados. Os príncipes são taças ou copos, que
normalmente estão cheios com água e eventualmente com alguma bebida do agrado
da entidade.

Os Habitantes do Juremá
Duas categorias de entidades espirituais tem seus assentamentos nas
mesas de Jurema, os Caboclos e os Mestres.
Os Caboclos são
identificados como entidades indígenas que trabalham principalmente com a cura
através do conhecimento das ervas, dão passes e realizam benzeduras com ervas e
folhagens. São associados às correntes espirituais mais elevadas, as que
trabalham para o bem, mas que também podem ser perigosas quando usados contra
alguém. Por isso são muito temidos.
Uma outra categoria de entidades que recebem culto na
Jurema é a dos Mestres. Os mestres são descritos como espíritos curadores de
descendência escrava ou mestiça. Pessoas que, quando em vida, possuíam conhecimento de ervas e plantas curativas.
Por outro lado, algo trágico teria acontecido e eles teriam morrido, se
“encantando”, podendo assim voltar para “acudir” os que ficaram “neste vale de
lágrimas”. Alguns deles se iniciaram nos mistérios e “ciência” da Jurema antes
de morrer. Outros adquiriram esse conhecimento no momento da morte, pelo fato
desta ter acontecido próximo a um espécime da árvore sagrada.
O símbolo dos mestres é o cachimbo ou “marca”, cujo
poder está na fumaça que tanto mata como cura, dependendo se a fumaçada é “às
esquerdas” ou “às direitas”. Essa relação com a “magia da fumaça” é expressa
nos assentamentos dos mestres, onde sempre se encontra presente “rodias” de
fumo de rolo, nos cachimbos e nas toadas.
As marcas são gravadas nos cachimbos, e indicam as
vitórias alcançadas pelo mestre que o usa. Quando em terra, os mestres já
chegam embriagados e falando embolado. São brincalhões, falam palavrões, mas
são respeitados por todos. Dançam tendo como base o ritmo dos Ilus e a letra
das toadas. Como oferendas, recebem a cachaça, o fumo, alimentos preparados com
crustáceos e moluscos diversos. Com essas iguarias, agrada-se e fortifica-se os
mestres. A bebida feita com a entrecasca do caule ou raiz da Jurema e outras
ervas de “ciência” (Junça, Angico, Jucá, entre outras) acrescidas à aguardente,
é, entretanto, a maior fonte de força e “ciência”, para estas entidades.
Também trabalham no Catimbó as Mestras. Tais mestras
são peritas nos "assuntos do coração", são elas que dão conselhos as
moças e rapazes que queiram casar-se, que realizam as amarrações amorosas, que
fazem e desfazem casamentos.
Juremação
Muitos juremeiros dizem que
“um bom mestre já nasce feito”; contudo alguns ritos são utilizados para
“fortificar as correntes” e dar mais conhecimento mágico-espiritual aos
discípulos. O ritual mais simples, porem de “muita ciência” é o conhecido como
“juremação”, “implantação da semente”, ou “Ciência da Jurema”. Este ritual
consiste em plantar no corpo do discípulo, por baixo de sua pele, uma semente
da árvore sagrada. Existem três procedimentos para isso. Em um primeiro, o
próprio mestre promete ao discípulo e após algum tempo, misteriosamente, surge
a semente em uma parte qualquer do corpo. Um segundo procedimento é aquele em
que o líder religioso realiza um ritual especial, onde dá a seus afilhados a
semente e o vinho de Jurema para beber. Após este rito, o iniciante deve
abster-se de relações sexuais por sete dias consecutivos, período em que todas
as noites ele deverá ser levado em sonhos, por seus guias espirituais, para
conhecer as cidades e aldeias onde aqueles residem. Ao final deste período, a
semente ingerida deverá reaparecer em baixo de sua pele. Num terceiro
procedimento, o juremeiro implanta a semente da Jurema, através de um corte
realizado na pele do braço.
Reuniões e Festas
Uma “Mesa” pode ser aberta
“pelas direitas” ou “pelas esquerdas”. Nas abertas “pelas direitas”, só as
entidades mais elevadas devem se fazer presentes. Incorporadas elas dão passes,
receitam banhos de ervas e defumações.
Quando se abre uma mesa
“pelas esquerdas” qualquer tipo de entidade espiritual pode vir. Os trabalhos
não precisam, necessariamente, visar o mal de alguém, contudo, aberto os
trabalhos por este lado da “ciência”, já é possível devolver aos inúmeros
inimigos, que estão sempre a espreita, os males que estes possam estar fazendo.
Orações e saudações feitas,
canta-se para abrir a "mesa" e chamar os guias. Em algumas casas
estes dão sua presença, afirmando que protegerão seus discípulos durante a
realização dos trabalhos. Subindo o último Índio ou Caboclo, é o momento de
todos, exceto o juremeiro-mor, se prostrarem de joelhos no chão e pedir ao
Juremá licença para entrar em seus domínios; é que os “Senhores Mestres” já vem
chegando...
Os discípulos pedem benção
aos Juremeiros mais velhos na casa. Saúdam com benzenções a Mesa da Jurema e os
artefatos dos Mestres. A Jurema é dita aberta. Os Senhores Mestres começam a
chegar.
É o momento das consultas
que sempre têm clientela certa. Momento onde coisas sérias são tratadas com
irreverência, sem que no entanto percam a gravidade e o apresso dos mestres e mestras, sempre prontos a ajudar a
seus afilhados. Nos casos mais graves, entretanto, o mestre logo marca um dia
mais conveniente, onde poderá realizar "trabalhos em particular". É
assim que o mestre, traz os recursos financeiros necessários para a manutenção
da casa de culto e do seu discípulo. Quando os Mestres se vão, chegam as
Mestras.

O
Candomblé
O Candomblé é uma religião
de origem africana, com seus rituais e (em algumas casas) sacrifícios; através
dos rituais é que se cultuam os Orixás.
O Candomblé é dividido em
nações, que vieram para o Brasil na época da escravidão.
São duas nações com suas
respectivas ramificações:
Nação Sudanesa: Ijexá, Ketu,
Gêge, Mina-gêge, Fom e Nagô
Nação Bantu: Congo,
Angola-congo, Angola.
Desde muito cedo, ainda no século
XVI, constata-se na Bahia a presença de negros bantu, que deixaram a sua
influência no vocabulário brasileiro (acarajé, caruru, amalá, etc.). Em seguida
verifica-se a chegada de numeroso contingente de africanos, provenientes de
regiões habitadas pelos daomeanos (gêges) e pelos iorubás (nagôs), cujos
rituais de adoração aos deuses parecem ter servido de modelo às etnias já instaladas
na Bahia.
Os navios negreiros
transportaram através do Atlântico, durante mais de 350 anos, não apenas
mão-de-obra destinada aos trabalhos de mineiração, dos canaviais e plantações
de fumo, como também sua personalidade, sua maneira de ser e suas crenças.
As convicções religiosas dos
escravos eram entretanto, colocadas às duras penas quando aqui chegavam, onde
eram batizados obrigatoriamente “para salvação de sus almas” e deviam curvar-se às doutrinas religiosas de seus
“donos”.
Primeiros
Terreiros de Candomblé
A instituição de confrarias
religiosas, sob a ordem da Igreja Católica, separava as etnias africanas. Os
negros de Angola formavam a Venerável Ordem Terceira do Carmo, fundada na
igreja de Nossa Senhora do Rosário do Pelourinho. Os daomeanos reuniam-se sob a
devoção de Nosso Senhor Bom Jesus das Necessidades e Redenção dos Homens
Pretos, na Capela do Corpo Santo, na Cidade Baixa. Os nagôs, cuja maioria
pertencia a nação Ketu, formavam duas irmandades: uma de mulheres, a de Nossa
Senhora da Boa Morte, outra reservada aos homens, a de Nosso Senhor dos
Martírios.
Através dessas irmandades
(ou confrarias), os escravos ainda que de nações diferentes, podiam praticar
juntos novamente, em locais situados fora das igrejas, o culto aos Orixás.
Várias mulheres enérgicas e
voluntariosas, originárias de Ketu, antigas escravas libertas, pertencentes à
Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte da Igreja da Barroquinha, teriam tomado
a iniciativa de criar um terreiro de candomblé chamado Iyá Omi Asé Airá Intilé,
numa casa situada na ladeira do Berquo, hoje visconde de itaparica.
As versões sobre o assunto
são controversas, assim como o nome das fundadoras: Iyalussô Danadana e
Iyanasso Akalá segundo uns e Iyanassô Oká, segundo outros.
O terreiro situado, quando
de sua fundação, por trás da Barroquinha, instalou-se sob o nome de Ilê
Iyanassô na Avenida Vasco da Gama, onde ainda hoje se encontra, sendo
familiarmente chamado de Casa Branca de Engenho Velho, e no qual Marcelina da
Silva (não se sabe se é filha carnal ou espiritual de Iyanassô) tornou-se a
mãe-de-santo após a morte de Iyanassô.
O primeiro “toque” deste
candomblé foi realizado num dia de Corpus Christi e o Orixá reverenciado foi
Oxossi.
Candomblé de Caboclo
O Candomblé, ao desembarcar
no País com os escravos, encontrou aqui um outro culto de natureza mediúnica,
chamado "Pajelança", praticado pelos índios nativos em variadas
formas. Em ambos os cultos havia a comunicação de Espíritos.
Com o tempo, alguns
terreiros começaram a misturar os rituais do Candomblé com os da Pajelança,
dando origem a um outro culto chamado "Candomblé de Caboclo".
Naturalmente, os Espíritos que se manifestavam eram os de índios e negros, que
o faziam com finalidades diversas.
A exemplo de toda nossa
cultura, o candomblé de caboclo é um a miscigenação de europeus, africanos e
ameríndios, uma verdadeira mistura de crenças e costumes que suas entidades
trazem em suas passagens pela terra conforme suas falanges ou linhas que se
dividem em Caboclos de Pena, a linha só há índios brasileiros, Caboclo de couro
que pertence a linha dos homens que lidavam com gado, marujos que são aqueles
que viviam no mar e outras como os famosos baianos que é a linha que representa
o trabalhador nordestino que padeceu nos sertões brasileiros, assim como falange
de Zé Pilintra que a história conta que foi um "malandro" injustiçado
que se tornou encantado. Estes últimos são mais comuns nos cultos de umbanda da
a região sudeste do país.
Influências Ketu, Gêge,
Catolicismo, Ameríndia
Usam dentro da ritualística
o gongá ou peiji (palavra de origem indígena qu quer dizer altar), onde
misturam imagens de todos os tipos: santos da Igreja Católica, pretos-velhos,
crianças, índios, sereias, etc.
Trazem do Candomblé as
festividades que louvam os Orixás e utilizam os atabaques (ilus); no lugar das
sessões realizam as giras. A vestimenta é igual à do Candomblé; usam roncó,
camarinha, feitura e na saída ocorre a personificação do Orixá (o médium sai
com a vestimenta do Orixá); utilizam sacrifício (matança) de animais.
Nas sessões normais os
caboclos utilizam cocares, arcos, flechas e no que se refere aos trabalhos, o
nome dado é “Mandinga”.
Utilizam o ipadê
ou padê, exigência dos Exús; os cântigos são denominados orikis e misturam
cântigos em português e em
iorubá. Omolocô
Influências: Angola, Congo,
Ketu, Gêge, Catolicismo, Ameríndia.
Também denominado de Umbanda
Mista, Umbanda Cruzada, Umbanda Traçada.
É o mais próximo da Umbanda
do Caboclo das Sete Encruzilhadas; segundo pesquisadores, este Candomblé
estaria em transição para a Umbanda.
UMA SEMANA DE MUITA PAZ
terça-feira, 12 de junho de 2012
UMBANDA LINDA
UMBANDA é religião!
Se dentro da Umbanda conseguimos nos religar com
Deus, conseguimos tirar o véu que cobre nossa ignorância da presença de Deus em
nosso íntimo, então podemos chamar nossa fé de Religião. Como mais uma das formas de sentir Deus em
nossa vida, a Umbanda cumpre a função religiosa se nos levar à reflexão sobre
nossos atos, sobre a urgência de reformularmos nosso comportamento
aproximando-o da prática do Amor de Deus.
A Umbanda é uma religião lindíssima, e de grande
fundamento, baseada no culto aos Orixás e seus servidores: Crianças, Caboclos,
Preto-velhos e Exus. Estes grupos de espíritos estão
na Umbanda "organizados" em linhas: Caboclos, Preto-velhos, Crianças
e Exus. Cada uma delas com funções, características e formas de trabalhar bem
específicas, mas todas subordinadas as forças da natureza que os regem, os
ORIXÁS.
Na verdade a Umbanda é bela exatamente
pelo fato de ser mista como os brasileiros, por isso é uma religião totalmente
brasileira.
Mas, torna-se imperioso, antes de ocuparmo-nos da
Anunciação da Umbanda no plano físico sob a forma de religião, expor
sinteticamente um histórico sobre os precedentes religiosos e culturais que
precipitaram o surgimento, na 1ª década do século XX, da mesma. Em 1500, quando
os portugueses avistaram o que para eles eram as Índias, em realidade Brasil ,
ao desembarcarem depararam-se com uma terra de belezas deslumbrantes, e já
habitada por nativos. Os lusitanos, por imaginarem estar nas Índias,
denominaram a estes aborígines de índios.
Os primeiros contatos entre os dois povos foram, na
sua maioria, amistosos, pois os nativos identificaram-se com alguns símbolos
que os estrangeiros apresentavam. Porém, o tempo e a convivência se
encarregaram em mostrar aos habitantes de Pindorama (nome indígena do Brasil)
que os homens brancos estavam ali por motivos pouco nobres.
O relacionamento, até então pacífico, começa a se
desmoronar como um castelo de areia. São inescrupulosamente escravizados e
forçados a trabalhar na novel lavoura. Reagem, resistem, e muitos são ceifados
de suas vidas em nome da liberdade. Mais tarde, o escravizador faz desembarcar
na Bahia os primeiros negros escravos que, sob a égide do chicote, são
despejados também na lavoura. Como os índios, sofreram toda espécie de castigos
físicos e morais, e até a subtração da própria vida.
Desta forma, índios e negros, unidos pela dor, pelo
sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e encarnavam nas Terras de
Santa Cruz. Ora laborando no plano astral, ora como encarnados, estes espíritos
lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco, e fazer com
que seus irmãos de raça se livrassem do rancor, do ódio, e do sofrimento que
lhes eram infligidos.
Além disso, muitas das crianças índias e negras eram
mortas, quando meninas (por não servirem para o trabalho pesado), quando
doentes, através de torturas quando aprontavam suas “artes” e com isso
perturbavam algum senhor. Algumas crianças brancas, acabavam sendo mortas
também, vítimas da revolta de alguns índios e negros.
Juntando-se então os espíritos infantis, os dos
negros e dos índios, acabaram formando o que hoje, chamamos de: Trilogia Carmática da Umbanda. Assim,
hoje vemos esses espíritos trabalhando para reconduzir os algozes de outrora ao
caminho de Deus.
A igreja católica, preocupada com a expansão de seu
domínio religioso, investiu covardemente para eliminar as religiosidades negra
e índia. Muitas comitivas sacerdotais são enviadas, com o intuito
"nobre" de "salvar" a alma dos nativos e dos africanos.
A necessidade de preservar a cultura e a
religiosidade, fez com que os negros associassem as imagens dos santos
católicos aos seus Orixás, como forma de burlar a opressão religiosa sofrida
naquela época, e assim continuar a praticar e difundir o culto as forças da
natureza, a esta associação, deu-se o nome de "Sincretismo
religioso".
O candomblé iorubá, ou jeje-nagô, como
costuma ser designado, congregou, desde o início, aspectos culturais
originários de diferentes cidades iorubanas, originando-se aqui diferentes
ritos, ou nações de candomblé, predominando em cada nação tradições da cidades
ou região que acabou lhe emprestando o nome: queto, ijexá, efã. Esse candomblé baiano, que proliferou por
todo o Brasil, tem sua contrapartida em Pernambuco, onde é denominado xangô, sendo a nação egba sua principal
manifestação, e no Rio Grande do Sul, onde é chamado batuque, com sua nação oió-ijexá (Prandi, 1991). Outra variante
ioruba, esta fortemente influenciada pela religião dos voduns daomeanos, é o tambor-de-mina nagô do Maranhão. Além
dos candomblés iorubas, há os de origem banta, especialmente os denominados
candomblés angola e congo, e aqueles de origem marcadamente fom, como o
jeje-mahim baiano e o jeje-daomeano do tambor-de-mina maranhense.
Os anos sucedem-se. Em 1889 é assinada a "lei
áurea". O quadro social dos ex-escravos é de total miséria. São
abandonados à própria sorte, sem um programa governamental de inserção social.
Na parte religiosa seus cultos são quase que direcionados ao mal, a vingança e
a desgraça do homem branco, reflexo do período escravocrata. No campo astral,
os espíritos que tinham tido encarnação como índios, caboclos (mamelucos),
cafuzos e negros, não tinham campo de atuação nos agrupamentos religiosos
existentes. O catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação
com os mortos, e o espiritismo (kardecismo) estava preocupado apenas em
reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de espíritos com o rótulo de
"doutores". Os Senhores da Luz (Orixás), atentos ao cenário
existente, por ordens diretas do Cristo Planetário (Jesus) estruturaram aquela
que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade, que
quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de suas
encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no
Brasil.
Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a
Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e
finalidades. Enquanto isto, no plano terreno surge, no ano de 1904, o livro
Religiões do Rio, elaborado por "João do Rio", pseudônimo de Paulo
Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz
um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de
Janeiro, àquela época, capital federal e centro socio-político-cultural do
Brasil. O escritor, no intuito de levar ao conhecimento da sociedade os vários
segmentos de religiosidade que se desenvolviam no então Distrito Federal,
percorreu igrejas, templos, terreiros de bruxaria, macumbas cariocas,
sinagogas, entrevistando pessoas e testemunhando fatos. Não obstante tal obra
ter sido pautada em profunda pesquisa, em nenhuma página desta respeitosa
edição cita-se o vocábulo Umbanda, pois tal terminologia era desconhecida.
A formação histórica do Brasil incorporou a herança
de três culturas : a africana, a indígena e a européia. Este processo foi
marcado por violências de todo o tipo, particularmente do colonizador em
relação aos demais. A perseguição se deveu a preconceitos e a crença da elite brasileira
numa suposta alienação provocada por estes cultos nas classes populares.
No início do século XX, o choque entre a cultura
europeizada das elites e a cultura das classes populares urbanas, provocou o
surgimento de duas tendências religiosas na cidade do Rio de Janeiro. Na elite
branca e na classe média vigorava o catolicismo ; nos pobres das cidades
(negros, brancos e mestiços) era grande a presença de rituais originários da
África que, por força de sua natureza e das perseguições policiais, possuíam um
caráter reservado.
Na segunda metade deste século, os cultos de origem
africana passaram a ser freqüentados por brancos e mulatos oriundos da classe
média e algumas pessoas da própria elite. Isto contribuiu, sem dúvida, para o
caráter aberto e legal que estes cultos vêm adquirindo nos últimos anos.
Esta mistura de raças e culturas foi responsável por
um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a partir de semelhanças
existentes entre santos católicos e orixás africanos, dando origem ao Umbandismo.
Ao contrário do Candomblé, a Umbanda possui grande
flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz de adotar novos
elementos. Assim o elemento negro trouxe o africanismo (nações); os índios
trouxeram os elementos da pajelança; os europeus trouxeram o Cristianismo e o
Kardecismo; e, posteriormente, os povos orientais acrescentaram um pouco de sua
ritualística à Umbanda. Essas cinco fontes criaram o pentagrama umbandista:
|
Cristianismo
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Kardecismo
|
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Africanismo
|
|
Indianismo
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Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Branca, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja. Os espíritos da Quimbanda (Exus) podem, no entanto, ser invocados para a prática do bem, contanto que isso seja feito sem que se tenha que dar presentes ou dinheiro ao médium que os recebe, pois o objetivo do verdadeiro médium é tão somente a prática da caridad
Algumas casas de Umbanda homenageiam alguns Orixás do Candomblé, como por exemplo: Oxumarê, Ossãe, Logun-Edé. Mas os mesmos, na Umbanda, não incorporam e nem são orixás regentes de nenhum médium.
Nós temos os nossos guias de trabalho e entre eles existe aquele que é o responsável pela nossa vida espiritual e por isso é chamado de guia chefe, normalmente é um caboclo, mas pode ser em alguns casos um preto-velho
Aspectos Dominantes do Movimento Umbandista
1. Ritual, variando pela origem
2. Vestes, em geral brancas
3. Altar com imagens católicas, pretos velho, caboclos
4. Sessões espíritas, formando agrupamentos em pé, em salões ou terreiro
5. Desenvolvimento normal em corrente
6. Bases; africanismo, kardecismo, indianismo, catolicismo, orientalismo.
7. Serviço social constante nos terreiros
8. Finalidade de cura material e espiritual
9. Magia branca
10. Batiza, consagra e casa
Ritual
A Umbanda não tem, infelizmente, um órgão centralizador, que a nível nacional ou estadual, dite normas e conceitos sobre a religião ou possa coibir os abusos. Por isso cada terreiro segue um ritual próprio, ditado pelo guia chefe do terreiro, o que faz a diferenciação de ritual entre uma casa e outra. Entretanto, a base de todo terreiro tem que seguir o principio básico do bom senso, da honestidade e do desinteresse material, além de pregar, é claro, o ritual básico transmitido através dos anos pelos praticantes.
O mais importante, seria que todos pudessem encontrar em suas diferenças de culto, o que seria o elo mais importante e a ele se unissem. Tal elo é a Caridade!
Não importa se o atabaque toca, ou se o ritmo é de palmas, nem mesmo se não há som. O que importa é a honestidade e o amor com que nos entregamos a nossa religião.
FÉ E MUITA LUZ EM SEUS CORAÇÕES !
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